De campo ao jardim do Paço Municipal: a história da Praça Mauá

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Foto2Contar a história de um local que já viveu tantas transformações não é tarefa para qualquer jornalista ou escritor. Por esse motivo, a CDL em Revista entrevistou o respeitado historiador santista, Arnaldo Ferreira Marques, para dividir com os leitores, as curiosidades e verdades sobre um dos mais belos cenários do comércio varejista de Santos, a Praça Visconde de Mauá. Irineu Evangelista de Sousa, o visconde de Mauá, foi um grande empreendedor, nada mais adequado para a sede da CDL Santos, que está localizada no número 42 da praça.

O historiador é o autor da dissertação de mestrado “Campo, parque, jardim. Transformações do espaço público urbano: a Praça Visconde de Mauá em Santos – 1740-1940”, após fazer uma série de pesquisas, que comprovaram diversas estórias e curiosidades sobre o local. Em seu estudo, Marques conta que entre os séculos XVII e XVIII, o local que hoje abriga a praça do Paço Municipal era apenas um campo periférico, em uma região não urbanizada, chamado de Campo da Misericórdia, uma vez que havia no local a Igreja da Misericórdia, que era ligada à Santa Casa da Misericórdia.

“De acordo com outros registros de imagens de Santos, acredita-se que entre os anos de 1810 a 1820 deve ser o período em que a igreja deixou de existir, o que é muito estranho, pois era um período em que as igrejas ainda tinham muito poder e não era habitual essas demolições. As igrejas em geral foram demolidas no início do século XX”, conta o historiador.

Um marco histórico, esse já mais conhecido da população em geral, foi a inauguração do chafariz em homenagem à coroação do D. Pedro II, em 1846. Anos depois, já em 1865 o campo passa a ser chamado de Largo da Coroação, devido a esse monumento.

Uma das descobertas mais interessantes da pesquisa de Marques foi a existência do primeiro jardim público de Santos no local. O jardim do Largo da Coroação foi inaugurado entre os anos 1876 e 1877, com direito a lagoa, cascata, coreto, gradil e com horário de funcionamento.

“Também não temos registros iconográficos deste período, infelizmente. Há apenas alguns documentos que comprovam a existência do parque público, como um registro de junho 1877 das atas da Câmara do município, que ocorreu a prisão de um alemão, desavisado do horário de funcionamento do parque, por ter entrado fora do expediente. Mesmo com os portões abertos”, disse o pesquisador.

A mudança de nome de Largo da Coroação para Praça Mauá, ocorre em 1887, justamente neste período em que o local estava sem muita circulação. E a escolha do nome é considerada, pelo historiador, apenas um marco político entre os republicanos da época. Em 1898 é inaugurado um mercado de verduras no local, o que descaracteriza ainda mais a origem de parque.

Acredita-se na hipótese que devido ao intenso crescimento de Santos entre as décadas de 80 e 90 do século XIX, o Largo da Coroação deixa de ser uma área periférica e torna-se ao longo dos próximos anos parte da região central da Cidade. Nota-se que de fato era necessário que suas atividades fossem alteradas, mas os registros mostram que a prefeitura destinava as verbas já para a orla da praia. O local fica abandonado por 12 anos.

Até que em 16 de junho de 1910, finalmente é entregue à população de Santos o novo jardim da Praça Mauá. Desta vez sem grades, sem lago e sem coreto fixo. A já centralizada praça volta a ser um local de encontro nos fins tarde, onde o público aproveitava para dançar, ouvir boa música e fazer um lanche nas barraquinhas de bebidas e comidas, segundo consta na pesquisa do historiador.

Entre anos de 1915 e 1922 a Praça Mauá recebe os pontos iniciais e finais dos bondes. Essa referência da praça como Terminal de Transporte Coletivo, se permaneceu até 1998, o mais longo período registrado de utilização deste local. Até hoje, as linhas de ônibus 20, 23, 52 e 04 tem paradas na Praça Mauá.

Nas primeiras décadas do século XX começaram as iniciativas de construção do Paço Municipal, mas apenas em 1936 começam definitivamente as obras do edifício. “Nesse momento, alguém entende que as palmeiras, que já tinham seus quase trinta anos de vida, não combinavam com a nova construção, assim como o monumento de Xavier da Silveira, que havida sido instalado em 1922. Logo, toda a praça é colocada abaixo e recomeçada do zero”, registra Marques.

Com a inauguração do Paço Municipal em 1939, também é inaugurado o terceiro jardim da Praça Mauá. Desta vez no estilo Versalhes – a fonte com a estátua de uma ninfa náiade (divindade da mitologia grega que vive em fontes e rios), réplica da que está nos jardins do Palácio de Versalhes, na França, de autoria do escultor Antoine Coysevox, do século 17 –, geométrico, com novo plantio de árvores e que se mantém até os dias de hoje.

Atualmente, as atrações da praça estão no passeio do bonde turístico pelo Centro Histórico, que tem o logradouro como ponto de partida e no acesso gratuito da internet sem fio com tecnologia Wi-Fi, por meio de smartphone, tablet ou de computador portátil. A praça conta também com câmeras do SIM (Sistema Informatizado de Monitoramento), da Secretaria de Segurança.

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